Ensaio sobre a gerência

Vou começar este texto explicando, de antemão, que não sou nenhum douto em administração e nem tão pouco certificado de lugar nenhum, mas tenho um dom, o de aprender com os erros, principalmente os alheios.

Já tive o prazer e o desprazer de ser submetido a vários tipos de gerências (trabalho como web designer, logo, falo de gerência de projetos web) e me irrita muito quando alguém sem experiência com web vem dar pitaco na nossa área. Não, não defendo nenhum tipo de reserva de mercado ou regulamentação, acho isso pura besteira, mas achar que um bom PMO vai chegar em TI de cara e fazer bonito é outra coisa.

Poucas coisas são mais humilhantes do que ser gerenciado - leia-se mandado - por quem sabe menos que você. Sim, tudo bem, em tese o cara vai só organizar prazos e cronogramas mas tem gente que trata profissional de TI como trabalhador braçal de indústria (nada contra, tá?).

Métricas, métricas e métricas, querem medir tudo, quanto tempo se faz uma função, um layout, um mapa do site, ou o xixi, putz, claro que deve haver um parâmetro, uma média para se bolar uma proposta comercial mas daí acreditar que isso aumentará ou mesmo definirá a produtividade de um grupo.... doce sonho.

Gestores inteligentes sabem disso que estou falando, eles entendem, mas tem quem realmente acredite que o que o funcionário A faz em 1 hora será o que os funcionários de B a Z também farão. O pior é que confiam que as atividades definidas com um label na planilha serão sempre idênticas, da mesma forma que uma garrafa de coca-cola será igual a outra, gente, estamos falando de projetos web, sites, intranets, não há receita de bolo!

A esta altura você se pergunta: "E qual a solução?", e eu digo, não sei. Mas não adianta empurrar pela goela algo que não funciona.

E quanto ao fator relacionamento? Este é um capítulo a parte, complicado, muito complicado.

O que eu defendo em relação ao relacionamento "gerente x funcionário", é o seguinte: O gerente deve ser o peso que falta aos funcionários para equilibrar a balança contra o peso da instituição "empresa".

Se tradicionalmente temos a empresa de um lado e os funcionários de outro (infelizmente é assim que funciona), e na maioria dos casos a empresa, com a força da caneta, das definições de regras e das decisões sobre todos, tem o peso muito maior do que todo o resto, por outro lado vemos os funcionários, que estão sempre a espera de uma ordem a ser dada.

A empresa, composta pelo seu corpo diretor e "alto clero", tem bem definida a orientação estratégica que ela quer implementar. O que na outra ponta, dos funcionários, normalmente não há qualquer orientação estratégica, há, no máximo, informações pontuais para atividades isoladas, neste panorama toda a empresa (no sentido amplo da palavra) perde.

O gerente no papel de equalizador de forças, deve criar naturalmente uma orientação para o grupo, ele deve saber aglutinar aptidões, desejos e aspirações dos funcionários para em conjunto e de forma colaborativa com a empresa, poderem assumir a mesma orientação estratégica da mesma.

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