O mundo de Sofia: uma relação comum.

Sofia tinha um jeito tímido e delicado. Não obstante, em momentos difíceis ela era impulsiva, seu olhar era vibrante como só os tímidos podem demonstrar. Estava casada há pouco mais de 5 anos, tinha uma relação normal para os padrões atuais, boa casa, um marido bonito e com boa situação financeira, era um bom marido, ela não era de reclamar não.

Desde bem jovem, Sofia se mostrava muito calada, via o mundo como vêem os observadores mais bem treinados, dizem os entendidos, que o observador é aquele que observa a dor e isso ela fazia muito bem.

Namorados ela não teve muitos, para ser sincero, só vi um e era namorico, coisa de criança mesmo. Ela conheceu o Pedro, seu atual marido, quando tinha 19 anos, nesse momento, é como se peças do quebra-cabeças começassem a ser montadas na mesa. Esta foi a primeira peça.

Pedro era um rapaz mais experiente, ele tinha 26 anos na época em que conheceu Sofia. Ela, embora carregasse o ar pesado de quem conhecia demais as pessoas, nada sabia a respeito das relações afetivas. Então, para o desespero dos seus pais, Sofia logo se casou.

Foi um casamento bonito, um casal jovem, pareciam ter tudo para dar certo e por muito tempo deu. Não havia brigas entre eles, aliás, era uma relação muito harmônica, parecia haver uma simetria que me espantava, eu confesso. Mas uma coisa na relação eu não achava, nem vasculhando os olhares mais desprevinidos do casal, faltava a chama, paixão.

Era uma relação de cérebros e de amizade, mas faltava o cheiro, faltava o tato, faltava o paladar e o toque impulsivo, essas faltas a Sofia não conhecia, não se sabe o gosto e o cheiro das tâmaras apenas pelo seu retrato.

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