Omissão ou mentira?

A mentira tem várias facetas. Uma dela é a omissão.

A omissão não é menos perversa do que a mentira, na verdade, quem omite guarda na manga (ou induz) o seguinte argumento: "Mas você não perguntou...." Então cabe ao enganado uma maratona de suposições para que o outro, bem aos poucos, dê as informações na medida em que isso não lhe cause transtornos.

A omissão também carrega de forma implícita outra crueldade, a da falsa proteção. Em vez de se abrir com o parceiro e arcar de frente com as consequências, quem omite, no final de tudo, quando não resta mais argumentos, dá a cartada final e diz: "Fiz isso pra te poupar, para te proteger".

Há também mais uma perversidade por trás da omissão, esta é bem mais elaborada, fruto de uma mente absolutamente manipuladora, é a omissão para no final dizer:"Mas eu não menti para você! Em nenhum momento eu menti". Esta é a que carrega mais premeditação, a pessoa mente para si mesmo dizendo que mentir jamais, mas omitir é perdoável, afinal, cabe ao enganado fazer as perguntas certas nas horas certas.

Claro que há casos de doenças, de mortes, onde a gente pode omitir porque o momento exige, mas em relações, em acordos, onde deveria existir a palavra de honra, acho que isso não deveria existir.

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