Sua mente falava alto como reflexo das vozes que insistiam em calar o amor que sentia pela jovem que acabara de conhecer. Durante sua vida, Jonas tivera poucos amores consumados, em geral, durante a sua tenra juventude, suas paixões eram vividas em silêncio, como uma espécie de contemplação de um artesão diante da sua obra de arte recém acabada.
Penso que a interiorização tem valor abstrato, diante da força vívida e da interação real com o calor do mundo exterior. Pensar alimenta o imaginário, mas não satisfaz a sede de viver.
De fato, a diferença de idade entre eles não era pequena. No começo Jonas achava estranho estar numa relação fora dos seus padrões, já que até então, só namorara moças da mesma faixa etária. Observo que a crítica mais comum se refere ao ‘real interesse’ envolvido entre os amantes de idades tão diferentes.
Certa vez, disseram-no que seu encanto pela jovem não passava de uma forma de saciar seu desejo sexual. Onde há o mal no encontro de dois corpos que se desejam loucamente, que se encaixam perfeitamente? Como pode faltar pureza quando a consciência se faz una na fusão das almas?
Afinal, perguntava Jonas, de que é feito o amor? Seria o amor um pacote fechado, bem delineado, completamente lacrado contra a loucura dos sentidos e aspirações mais terrenas? Devemos rotular nossa relação com o outro como amor, paixão, delírio ou desejo?
Creio que o bom senso asfixia o coração, ele é uma forma de trazer os velhos padrões, vividos por outros à nossa vida na tentativa de imprimir verdades quase sempre mal resolvidas. Deixemos o pensamento, a paralisia mórbida para viver a vida como ela exige ser vivida.