Um dia para não sair
qua, 15/08/2007 - 06:08 — admin
Depois que começamos o processo de separação, eu passei por diversas fases, brandas confesso, mas todas muito estranhas para mim. Já havia namorado durante 7 anos antes desse casamento e já havia vivido esta experiência, mas é engraçado como cada caso é um caso. Nesta última relação, também com 7 anos de duração (ou validade), o nosso distanciamento está sendo suave e gradativo, pois por motivos particulares da minha esposa, ou ex, nem sei mais, não convém fazer alarde para a família dela o que só faria todos sofrerem ainda mais. A minha sensação é curiosa... de um lado é ótimo não ter a ruptura abrupta e passional, por outro lado, toda esta elegância em lidar com sentimentos tão profundos e mesclados me angustia por não ver o outro lado do rio. Sinto como se meu coração fosse pego com todo carinho e estivesse sendo fatiado bem delicadamente para não me machucar. Claro, todo esse cuidado dispensa anestesia. Tenho tido sonhos curiosos, há muito tempo não sonhava com a antiga casa da família, onde cresci e meus pais, mas eles voltaram, aliás, minha relação com eles, minhas bases me chamam, nessas horas imagino a aflição de quem não tem mais a quem recorrer num momento de instabilidade afetiva. Ontem pela madrugada, ao rolar na cama em busca de sono e de um esvaziamento mental, tive o impulso de sair de casa, sim, sair com a roupa do corpo e pensei na certidão de nascimento (outra vez a busca pelas bases) e morar noutro lugar, esquecer deste apartamento onde tudo me lembra da ótima relação que tive durante anos. Hoje acordei diferente, angustiado, com medo, talvez influenciado pela angústia da noite anterior, passei o dia instável, coisa extremamente rara comigo, aliás, apenas 2 coisas tiram meus pés do chão, uma é alguém da família doente e outra é ter problemas no meu relacionamento afetivo.