A verdadeira moral, ri da moral.
sab, 29/12/2007 - 04:35 — admin
Me pego perdido em dilemas a respeito dos meus princípios e da moral que absorvi durante a minha jornada afetiva. Penso em como pode ser mais leve a vida com base em mentiras externas e como, por outro lado, torna-se duro, ter que dizer a verdade dilacerando os corações dos que nos cercam e nos amam. Não seriam estas mentiras as máscaras e papéis que interpretamos? Não estariam estas mentiras incorporadas nos costumes, na matéria-prima da moral vigente, e quem sabe não estariam nos nossos preconceitos mais bem guardados que chamamos cinicamente de 'bom senso'?
Penso que não estamos preparados para a verdade. Mais do que isso, não estamos preparados para propagar a verdade. Não que isso seja de todo ruim, de que adiantaria sabermos que vamos morrer de forma dolorosa? Por mais gentil e honesto que fosse o tom do vidente, isso não alteraria o resultado e seria uma forma de tortura para o pseudo-moribundo. A questão é que queremos sempre o inverso. Se temos a mentira, exigimos a verdade. Se temos a verdade, preferimos a mentira, afinal, na mentira o desfecho é sempre mais bem acabado (... e foram felizes para sempre...).
Não estou defendendo a mentira, mas é duro ser 'honesto' e espantar os que nos cercam, as pessoas, nós, preferimos a fantasia, preferimos o adorno e as arestas aparadas, embora por dentro vivamos num caos obscuro e invariavelmente, nos ferimos nas farpas que negligenciamos por consertar. O ato do ferimento, atribuímos aos outros.
Penso que não há solução senão o não-julgamento. Quanto mais rígidas são as regras que chamamos de moral, mais falha é a sentença. Nós não somos coisas, não somos conjuntos de ações pré-determinadas, temos alma e nela o limite é o fim.